14 de abril de 2013

O Domingos (e quando calha)

precisava de narta para ir a Lagos;
além do jantar de ontem,
 já vou no 4.º saco e a cagar-me para Hannah Arendt

13 de abril de 2013

12 de abril de 2013

Breve interlúdio musical

Porque a Net fornece um novo dia

Às vezes, lá calha...

«Não há espaço para almas universais,
excepto, talvez, na Antárctida ou nos mares altos.»
(J. M. Coetzee)

Nem sempre a lápis (359)

até Jajouka
(2006)

19. Julgo ter cometido um erro de palmatória, quando pedi para imprimirem estas cinquenta e tal folhas, irreconhecíveis e desmotivadoras, que me observam aqui ao lado. (...) Admito que possa parecer paradoxal, contraditório que, depois de anos a fio a recusar-me a ler ou rever directamente no monitor, exigindo uma rápida e urgente impressão do que tivesse escrito, agora considere um erro de palmatória, insisto, ter imprimido o que tenho vindo a repetir, a citar-me, e pretendo, na medida do possível, que continue privado dada a impossibilidade de permanecer anónimo. (...) E à medida que as pinhas pegam e o carvão começa a crepitar, na estrada, atrás do eucaliptal ao lado ouvem-se passar camiões fúnebres carregados com os derradeiros troncos de pinheiro, a verdadeira mancha verde que caracterizava e era a principal indústria de Mortágua. Desse passado, resta uma estrada – que julgo única e entregue ao livre trânsito das ervas daninhas – com a faixa descendente de paralelepípedos, para que as pesadas rodas dos carros de bois não cortassem o alcatrão quando a desciam para trazer os troncos para as serrações, hoje entregues ao esquecimento e vandalizadas pelo tempo, que optou pelo lucro fácil e duvidoso do eucalipto, fertilizado por um número crescente de incêndios.
Olho para o meu sobrinho neto e – por mais que tente, por mais que me esforce por não lhe estorvar a liberdade de quem está a ser – não consigo deixar de pensar: como será uma geração que perdeu, que não chegou a conhecer a alegria ancestral de talhar barcos à navalha em carcódoas de pinheiro?

Papiro do dia (401)

«Noël veio fazer uma inspecção. Havia só dois prisioneiros na enfermaria: Michaels e o homem em coma. Falámos sobre Michaels, em voz baixa, apesar de ele estar a dormir.
– Ainda o podia salvar se usasse um tubo – disse eu a Noël –, mas não quero forçar ninguém que não tenha desejo de viver. Os regulamentos são bastante claros: proibida a alimentação forçada; proibido o prolongamento forçado da vida; proibida a publicidade à greve de fome.
– Quanto tempo lhe resta de vida? – perguntou Noël.
– Talvez duas ou três semanas – respondi.
– Pelo menos, é um fim tranquilo – observou ele.
– Não – disse eu –, é um fim doloroso e bem desgraçado.
– Não há qualquer injecção que lhe possa ministrar?
– Para acabar com ele?
– Não, não quero dizer isso. Apenas para lhe facilitar o fim.
Eu recusei-me a tal. Não quero assumir essa responsabilidade enquanto houver possibilidade de Michaels mudar de ideias. E a conversa ficou por aí.»
[J. M. Coetzee, A vida e o tempo de Michael K; trad. Ricardo Fernandes, Bibliotex Editor 2003;
mais ou menos assim]

8 de abril de 2013

7 de abril de 2013

Milhos com acelgas

 
... e as carnes ao lado

5 de abril de 2013

Breve interlúdio musical




Porque a Net fornece um novo dia

Às vezes, lá calha...

«Não há mais nada para a gente se entreter. Ora, se estamos presos deixemo-nos ficar. Não vale a pena disfarçar.»
(J. M. Coetzee)

Nem sempre a lápis (358)

até Jajouka
(2006)
18. O meu pai resolveu fazer oitenta e dois anos – a fazer fé na hereditariedade, a proeza não augura nada de bom para mim – e estou outra vez em Mortágua. (...) E então apanho-me a considerar a proximidade da minha velhice, se tiver a pouca sorte de vir a ser Velho, com maiúscula, velho a sério. Se tiver a pouca sorte de sobreviver às pessoas com quem me relaciono, nunca poderei recorrer à desculpa – bem pelo contrário – de não ter ninguém do meu tempo com quem falar, porque não falo, o que se chama falar, praticamente com ninguém. Se entretanto não for descobrindo novos autores capazes de ocuparem a minha atenção, o que francamente duvido, resta-me sempre a possibilidade de continuar a reler (às vezes, ainda com mais prazer) alguns dos livros que fazem parte, digamos da minha vida, e não são de maneira nenhuma uma alternativa para um vazio em que não acredito, nem para uma solidão que ambiciono e persigo.

Papiro do dia (400)

«K nunca chegou a descobrir quem esfaqueou o guarda ou se este chegou a recuperar, pois esta foi a sua última noite no acampamento. Meteu os seus haveres no casaco preto, esgueirou-se silenciosamente para o exterior do acampamento e ocultou-se atrás da cisterna, aguardando que fossem todos para a cama e as últimas cinzas se apagassem, até que tudo mergulhou em silêncio, à excepção do vento que soprava sobre a planície. Esperou mais uma hora, tremendo de frio, por não fazer qualquer movimento. Depois, descalçou os sapatos, pendurou-os ao pescoço, deslizou na ponta dos pés até à cerca de arame junto das latrinas, atirou a trouxa para o outro lado, e trepou. Houve um momento em que, ao transpor a barreira, as calças se lhe prenderam no arame farpado, e ele foi um alvo fácil no azul prateado, mas desembaraçou-se e seguiu em bicos de pés num chão surpreendentemente igual ao do acampamento.»
[J. M. Coetzee, A vida e o tempo de Michael K; trad. Ricardo Fernandes, Bibliotex Editor 2003;

3 de abril de 2013

... e na volta, apanho-vos a estilar

 
[Di, tira a etiqueta das lentes c'os putos alucinam]

1 de abril de 2013

Volto já