Esqueci ou desgostei, perdi o hábito da praia. Passo o dia de t-shirt e calções e sandálias, por casa. Quando seria de esperar, e terei prometido, regressar com uma cor de fazer tanta inveja como a mim, fiz uma ou duas horas de praia ao fim da tarde, até hoje. Tempo não me falta, a pairar nesta espécie de limbo antevisto, deitado a ler e a divagar até o Manel Careca acabar por abrir e ir tomar o pequeno-almoço para me deitar, de dormir. Acordo e vou beber uma bica a um preço popular, folheio o Correio da Manhã do estabelecimento, confirmando que, para mim, continua a ser o nosso mais fiel retrato em formato tablóide; em saldo e de rastos, a puxar por cornetas para um Força Portugal exangue. Só muito ao fim do dia, quando o calor permite que me vista para sair à noite, enfiar os bolsos da camisa trocada em Porto Covo, deixo que a primeira rua que leve ao mar me conduza à esplanada da lota, decidido a descansar até jantar um hambúrguer e um galão, aviar os pardais. Depois divago pelas ruelas tão estreitas ao «com licença» até me implantar no arraial de calorias veraneantes da geladaria da Fortaleza; justifico-lhe o nome de Pai Pinguim sentado com um café e um longo copo de água na mesa que confina com o parque de diversões, eléctrico e sonoro, onde uma criança e um jovem casal e um casal jovem com sogros, se entretêm a divertir-me. Esta tarde, enquanto esperava um sinal dos óculos e da carrinha, continuei a ler Terzani, apanhado do lado certo da cama; o dos livros com quem durmo. Fiz bem em não ter desligado o portátil; hoje não reescrevi nada na agenda do ano passado, de que aqui se dá nota.
Ah! Como entendo desse limbo! Às vezes finjo que preciso me entusiasmar por algo, mas não resolve...
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