20 de agosto de 2013

Nem sempre a lápis (386)

Longe do mundo

6. Esta tarde não tem gaivotas, nem se levantam papagaios junto ao rio. Os barcos cabeceiam ao sabor do abandono.
Havia um cata-vento que marcava as artes,
a festa da armação,
quando o zinco do atum oxidava a costa.

As sardinheiras ainda ardem nas ânforas, mas os passos já não ressoam na rua do Tresmalho.

 
As alcofas esbanjam a frescura das hortas. Sobre as bancas os peixes fitam o mercado, atónitos. Pomar mediterrânico
no gume da fartura e da extinção.

O rio dorme sob a ponte;
os barcos já não transportam a cobiça da fruta.
 

1 comentário:

I. disse...

:) (gosto porque sim)