5 de julho de 2012

Nem sempre a lápis (296)



Não há muito tempo, uns três anos, entretive-me a alimentar o expediente da auto-edição a laser, impressa nas vulgares superfícies da especialidade com tiragens à medida da procura da oferta; da generosidade editorial, digamos assim. Passei semanas apoiado nessas elucubrações, práticas, funâmbulas, inconsequentes. O labirinto das minhas leituras acabava de desembocar num parágrafo de Julio Cortázar em que se refere uma localidade na Escócia, onde vendem livros com uma página em branco perdida algures no volume. «Se um leitor desemboca nessa página quando batem as três da tarde, morre.» Anotei então e acabo de confirmar que me animava e continua a animar, a sobrevivência da impressão; quanto tempo precisará para se transformar num livro em branco e o leitor se salve sem necessitar de ver as horas. Como todas as horas são boas para se morrer, no prazo razoável de sessenta minutos, legendo assim os 2:06 minutos do vídeo clipe e ainda sobra muito tempo.