20 de outubro de 2013

Dor de corno

31 comentários:

Claudia Sousa Dias disse...

Sim! Chamar a atenção para os que são sempre esquecidos ou permanecem na sombra ao invés de destruir desvalorizar o trabalho alheio. Tipo: sim senhor estes têm o seu mérito mas estes têm isto e isto e isto...

Não gosto de gente ressabiada.

fallorca disse...

O que eu achei extraordinário - digamos que neste exemplo de "imaginação de Henrique Fialho" (parafraseando-o) - é que ele se precocupe com a higiene da cagadeira e, afinal, não a dispense.
Desconhecia-o (mas suspeitava) como "guardaddor de latrinas".
Muito paleio, muito paleio, mas afinal não gostam de cagar a sós, ao ar livre

Claudia Sousa Dias disse...

eu, confesso que ao ar livre também, não por muito que a brisa dissipe o cheiro...corremos sempre o risco de ser apanhados por um predador quando na altura menos adequada para fugir...

:-D

Claudia Sousa Dias disse...

A sós sim, mas em privado.

hmbf disse...

ó fallorca, não sei se estás a ver bem a coisa. por razões profissionais que não vêm ao caso, tenho que ler aquilo tudo todas as semanas. dou um exemplo. duas ou três semanas antes deste exercício pseudo-crítico, valter hugo mãe foi capa do Atual. Lá dentro, 4 páginas inteirinhas de promoção. agora, a CFA diz que o tipo «é um dos exemplos mais cómicos do cabotinismo literário lusitano», a ACL diz que "o tipo" é banal. enfim, posso andar mal de memória, mas nunca lhes li uma crítica, uma recensão a um livro do vhm onde tornassem claro o porquê deste desprezo (por assim dizer). aliás, feitas as contas, de janeiro até aqui, 95% dos livros publicados em portugal são todos bons (***), muito bons (****) ou geniais (*****). isto faz de nós um país de excepção, até na crítica literária.

(também não gosto de ressabiados, e, que saiba, cornos não tenho)

fallorca disse...

Obrigado hmbf pela consulta de oftalmologia. Que seria de mim sem o límpido esclarecimento, «não sei se estás a ver bem a coisa».
Aproveito para retribuir com a seguinte posologia: Paracetamol (2 de 500mg) de 8 em 8 horas. Se a dor persistir - parece não ser de corno, mas de cotovelo é concerteza - intercalar Clonix 4 horas depois, também de 8 em 8 horas.
Votos de rápidas melhoras e mais arejada aceitação na «latrina» que, afinal, não dispensas

Claudia Sousa Dias disse...

Nunca achei que fosses uma coisa nem outra, Henrique. Nem era de ti que falava quando me referi a ressabiamento mas à Clara e companhia. E sempre soube que te irias defender de forma impecável, por isso abstive-me de falar a teu respeito. Por outro lado, não escondo de ninguém que gosto do Valter Hugo Mãe e dos livros dele que li até agora. Se é promovido e divulgado até à exaustão, óptimo. Há muitos mais que também deviam sê⁻lo como a Maria Velho da Costa, por exemplo, mas acredito que um dia lá chegaremos.

Queria também ler algo teu - o blogue não conta -, mas os livros de poesia sobretudo.

Tens alguma compilação de contos, também?

hmbf disse...

Claudia, o blogue é a única coisa que conta. Os livros, que estão referidos no weblog, andam por aí: o mais recente encontra-se nas livrarias, as estórias domésticas, as estranhas criaturas e o meu cinzeiro azul talvez em feiras de velharias ou alfarrabistas, a dança das feridas já não tenho, o rogil talvez através da volta d'mar, os outros, felizmente, desapareceram....

Fallorca, tanto haveria a dizer sobre este volte-face: «Votos de rápidas melhoras e mais arejada aceitação na «latrina» que, afinal, não dispensas». Está visto que não dispenso. Por mim, descansado da vida: as acções falam e é tudo o que conta contra o teu contorcionismo.

Já agora, sempre que te referires ao que quer que seja em tom crítico eu vou seguir o teus sábio raciocínio: é tudo dor de corno e dor de cotovelo. A coisa pega-se, é contagiosa.

fallorca disse...

Ó Henrique,
não me fodas, ok?

hmbf disse...

pois, pois

mandei-te um mail
espero que gostes

fallorca disse...

Não me apetece :)
(fode-te mais a linkaria que transportaste para aqui, sem limparem os pés)

hmbf disse...

i i i
:-)

Carlos Azevedo disse...

Calma, meus senhores... Até parecem do Porto, carago! :-)

Cláudia, não achas que é um exagero acusares a Ana Cristina Leonardo e a Clara Ferreira Alves de ressabiamento? Conhecê-las, por acaso? É que elas falaram dos livros de vhm (e de outros), e tu limitas-te a atacá-las enquanto pessoas. Isto é tudo muito simples: tu gostas do que ele escreve; elas, não. E Deus nos livre dos consensos.

No meio disto tudo, veio-me à cabeça esta porcaria escrita pela Maria do Rosário Pedreira, bem como os excelentes comentários de Dóris Graça-Dias, aqui e aqui.

margarete disse...

?!

Claudia Sousa Dias disse...

Vou ler.

Claudia Sousa Dias disse...

Elas estão-se a referir à Crítica de JRDireitinho...eu pelo que li no mural dele, ele limitou-se a criticar duramente a entrevista do valter, cuja opinião respeito.

Agora em relação ao livro ele tece-lhe até basantes elogios e a crítica ao "A Desumanização" é bastante favorável, ao contrario da referente a "O filho do mil homens". Confesso que nunca olho para a classificação desde que vi atribuírem somente 4 estrelas a "Filhos e Amantes" de D.H. Lawrence e três estrelas à publicação da correspondência entre José Rodrigues Miguéis e José Saramago...e vou continuar a ignorá-las propositadamente.

Carlos Azevedo disse...

Cláudia, o texto da Maria do Rosário Pedreira, que data de 04/10/2011, surgiu precisamente na sequência da crítica que o José Riço Direitinho efectuou ao anterior livro do vhm.
O que está em causa não é o crítico gostar ou não gostar do livro (é a opinião dele, com a qual concordamos ou não, sem pôr em causa as suas motivações só por causa dessa mesma crítica), mas a forma como essa crítica é recebida. A Maria do Rosário Pedreira, por outras palavras, também acusou o José Riço Direitinho de estar ressabiado, o que não faz qualquer sentido. Mas, como disse, considero os comentários da Dóris Graça-Dias exemplares.

Claudia Sousa Dias disse...

Não, não faz. O JR sabe separar as coisas. Literatura e antipatias pessoais.

Carlos Azevedo disse...

E como ele, muitos outros; aliás, até demonstração em contrário, qualquer um. Por isso mesmo, sem evidências que o justiquem, o ataque pessoal a quem efectua crítica literária não faz sentido.

hmbf disse...

Gosto de ler a Ana Cristina Leonardo, tenho amizade pelo José Mário Silva, conheci pessoalmente há pouco tempo o Pedro Mexia, que já lia há muito e continuo a ler com interesse, sobretudo as crónicas. Isto não tem nada que ver com gostar ou não do trabalho efetuado pelas pessoas em concreto, tem que ver com questões muito mais complexas num país demasiado pequeno para tanto ego inchado. E tem que ver com exercícios de poder, com a pressão dos grupos editoriais, com aquilo a que Pessoa chamada o "gosto popular". Enfim, o Fallorca tresleu o que eu queria dizer. Não lhe levo a mal, li quase todos os livros dele. E gosto de o ler. Isto não tem nada que ver com gostar/não gostar de ler este ou aquele. De certa forma, até admiro o que o Fallorca fez neste post. É amigo da Ana Cristina Leonardo. Pode ter pensado que eu estava a denegrir o trabalho de uma amiga. Fez bem, os amigos devem defender-se uns aos outros. Acho isso muito saudável e correto. Mas também devem ter sentido crítico e, sobretudo, alimentar esse espírito crítico cuja falta dá cabo deste pobre país. O exercício levado a cabo pelo Atual tinha uma função: chamar a atenção sobre o Atual. Conseguiu.

fallorca disse...

Ó Enrique,
não confundas nem pretendas «tresler» a minha chamada de atenção para o que leste e escreveste no excerto aqui publicado.
Se te dá jeito (parece que dá) vitimizares-te para te darem mimos, é lá contigo. Agora, uma coisa é certa e emergente no teu texto, «contorciones-te» tu o mais que quiseres: o que ali se nota, rodapé incluído e lá iremos, é a tua incontida raiva, frustração, falta de mimos, por não caberes ou não te autorizarem a entrada na latrina, que ambicionavas mais respirável.
Depois lá vem a tal nota de rodapé, onde aproveitas para (sem vir à baila no dossier do Actual, onde até já nem escreve) para pretenderes comprometer o António Guerreiro como «padrinho» do grupo que publicamente detestas (língua morta e aftas associadas), quando uma das tascas que tu frequentas, Volta d'Mar, acaba de celebrar um dos ícones dessa tropa fandanga, Manuel de Freitas, pela «mãozinha» dada às suas edições.
http://voltadmar.blogspot.pt/2013/10/vinho-com-letras-recebeu-centenas-de.html
Isto foi sempre um país padreca, com capelinhas para todas as devoções, é sabido.
Agora, que te incomode a minha liberdade de já nem sequer distribuir as minhas edições pelas livrarias, e de me estar a cagar se o José Mário Silva, o Pedro Mexia, o António Guerreiro e o Pedro Pitta (é verdade, e com picardia) escrevem ou não sobre os livros que lhes mandei, paciência.
Quanto à Leoparda (ACL), minha Amiga, é verdade, ela que te responda se por acaso isto lhe chegar aos olhos; na certeza porém de que não serei eu a fazê-lo.
A amizade não é um compromisso, nem uma incorporação, consegues entender, Enrique Fialho?

fallorca disse...

"Eduardo Pitta", rectifico com redobrado gozo, fiufiu...

Carlos Azevedo disse...

Henrique, a minha observação relacionava-se tão-só com o ataque pessoal a quem efectua crítica literária; e, porque me pareceu que ela estava a incorrer nesse erro, provavelmente sem maldade, dirigi-me à Cláudia.
Quando me dirigi a si e ao Fallorca, não tomei qualquer posição (nem tinha que o fazer); brinquei convosco, só isso.
No que concerne ao essencial do que agora diz, só tenho a dizer-lhe o seguinte: para mim, enquanto leitor, tem precisamente a ver com gostar/não gostar de ler este ou aquele, e não com gostar/não gostar deste ou daquele. Há críticos que eu não leio, porque não me interessa lê-los, e há outros cuja opinião não dispenso. Nunca entro em considerações pessoais, excepto quando vejo, como vi recentemente, um crítico literário cometer erros factuais atrás de erros factuais; nesses casos, permito-me classificar o crítico como ignorante. Quanto ao exercício de poder e à pressão dos grupos editoriais, não me custa imaginar que assim seja; aliás, é assim em todas as áreas da sociedade. É mau? É. Deveria ser de outro modo? Deveria. Há que lutar contra isso? Há. Mas, do ponto de vista do escritor, para quem não se quer vender, há sempre opções. Há é que pagar o preço, muitas vezes elevado, mas isso é como em tudo na vida.

hmbf disse...

Fallorca,só digo mais isto:

eu nunca te pedi nada nem pedirei, assim como nunca pedi nada a mais ninguém, não devo favores nem caridades

tu não podes dizer o mesmo, desde logo porque me pediste coisas a mim

E por aqui me fico.

Adeus.

fallorca disse...

«...tu não podes dizer o mesmo, desde logo porque me pediste coisas a mim»
Este gajo está mesmo louco!
Pedir-te um contacto ou perguntar a tua disponibilidade para apresentares um livro (que acabei por ser eu a editá-lo) são essas as minhas dívidas para contigo?
Não sejas garoto, seu canalha manipulador... e desanda da minha vista, seu asco!!

Ana Cristina Leonardo disse...

Jorge Fallorca, acabei de ler uma coisa muito, muito boa (se calhar até já conheces ou leste): o "Estrada para Los Angeles" do John Fante.
Quanto aos sub/sobrevalorizados e a agitação que isso gerou só me merecem dois comentários: 1. folguei em perceber que 99% daqueles que vi a debruçarem-se sobre o assunto à janela se ficaram pela CFA versus LER e não fazem a menor ideia de quem eu sou :)
2. uns textinhos praticamente inócuos gerarem tanto comentário é sinal de que se lê muito pouco e mal no burgo.
Finalmente, e é um comentário dirigido especialmente à Cláudia Sousa Dias, o Valter Hugo Mãe, que não conheço de lado nenhum, não faz literatura, faz crochet com escassez de palavras (mal geral da literatura actual, e desculpem-me a rima), não tem mundo nem para escrever 3 parágrafos quanto mais romances e julga-se irreverente. Ora julgar-se alguém irreverente só é aceitável até ao fim da adolescência. A partir daí ou se é ou não se é. Há uma palavra que caiu muito em desuso, e de sentido, concedo, um pouco escorregadio. Mas eu gosto: autenticidade. Aquilo é mais fake do que julgar eu ter na minha retrete um urinol do Marcel Duchamp.

Claudia Sousa Dias disse...

Bom, Ana Cristina Leonardo,não posso dizer que concordo com a sua opinião em relação, ao Valter e ainda menos com os juízos de valor que faz em relação às pessoas que gostam do que ele escreve. Eu gosto dele e de muitos outros.

Quanto ao resto, para mim é pacífico.

fallorca disse...

Leoparda,
tá na calha, assim que acabar Alice Munro (interrompido, graças a Teolinda Gersão). Já agora, não queres ficar com esses e mandares-me um da subvalorizada Teresa Veiga?
Devem continuar em saldo na Cotovia, aproveita também
Bjis

Ana Cristina Leonardo disse...

jorge, de 14 a 24 teremos oportunidade de pôr a conversa em dia e fazer troca de livros e de batatinhas doces. que dizes?

fallorca disse...

Digo-te depois :)

Ana Cristina Leonardo disse...

cláudia sousa dias, juízos de valor fazem parte do próprio exercício da leitura crítica. não se pode gostar de tudo e muito menos gostar de valter e de tolstoi é só um exemplo). há qq coisa que não bate certo nisso. eu sou adepta de uma coisa que até agora ninguém aceitou fazer comigo: leitura cega. teríamos muitas surpresas!