5 de abril de 2011

Nem sempre a lápis (148)

Se não tivesse lido Bibliotecas Cheias de Fantasmas, é muito provável que Carlos María Domínguez me tivesse passado ao lado. Embora o nome não fosse anónimo – pela voz avisada de Alberto Manguel, se não estou em erro –, é difícil resistir ao cativante entusiasmo com que Bonnet cita passagens e refere o autor d’A Casa de Papel. Porém, de uma coisa tenho a certeza: essa imprevisível conjunção levou-me a resgatar Joseph Conrad do esquecimento. Terminado o livro de Carlos María, num fôlego repetido, imediato, na altura procurei mal A Linha de Sombra com receio de me decepcionar; não o ter comigo. Alcatruzes da escrita, já agora, conte-se que viria a encontrar Mocidade / Uma Narrativa, traduzido por Aníbal Fernandes e ilustrado por Ilda David, para a colecção Gato Maltês / 7, em Maio de 1984. Aleatoriamente, adquiri Histórias Inquietas, tradução de Carlos Leite também para a Assírio & Alvim, dois anos depois, e O Negro do Narciso, editado pela Relógio d'Água e traduzido por Luzia Maria Martins. Tudo leva a crer que a edição seja de 1987, porque encontro – perdido?, com função de marcador? – entre as páginas 158 e 159, um postal editado pela Galeria 111 com a reprodução de um acrílico sobre tela (97 x 130 – 1986/7) de Menez. «De um lado e do outro dormiam homens invisíveis, respirando calmamente. Parecia que ele se enchia de coragem e fúria, arrancadas à paz que o rodeavam.» A última vez que fui a casa da Nico, obcecado com A Tábua das Marés encontrei os livros acima descriminados e a edição mais recente d'A Linha de Sombra por 4,20 €, com o Público anexado + preço do jornal; cotação em vigor na sobrecapa da edição cartonada, em 2003. Se quando era adolescente comprava ou ofereciam-me, dispensavam, o Suplemento do Diário de Lisboa e depois do República, achei natural a evolução para o formato livro; preterido o jornal. Como tem vindo a suceder com outros, comprados ao desbarato e desencaixotados desde que há três anos passei a ter uma biblioteca portátil, em viagem, não faço a menor ideia se li ou não os títulos atrás mencionados, exceptuando Mocidade; quando o que procurava, o que demando, já se encontra muito para lá da linha de sombra.

2 comentários:

imo disse...

Como a partir de um só livro se podem traçar tantas linhas. E como um livro tão pequeno e tão discreto pode conduzir a tantas coisas.

:)

fallorca disse...

É verdade :)