21 de junho de 2010

Nem sempre a lápis (44)

Esqueci ou desgostei, perdi o hábito da praia. Passo o dia de t-shirt e calções e sandálias, por casa. Quando seria de esperar, e terei prometido, regressar com uma cor de fazer tanta inveja como a mim, fiz uma ou duas horas de praia ao fim da tarde, até hoje. Tempo não me falta, a pairar nesta espécie de limbo antevisto, deitado a ler e a divagar até o Manel Careca acabar por abrir e ir tomar o pequeno-almoço para me deitar, de dormir. Acordo e vou beber uma bica a um preço popular, folheio o Correio da Manhã do estabelecimento, confirmando que, para mim, continua a ser o nosso mais fiel retrato em formato tablóide; em saldo e de rastos, a puxar por cornetas para um Força Portugal exangue. Só muito ao fim do dia, quando o calor permite que me vista para sair à noite, enfiar os bolsos da camisa trocada em Porto Covo, deixo que a primeira rua que leve ao mar me conduza à esplanada da lota, decidido a descansar até jantar um hambúrguer e um galão, aviar os pardais. Depois divago pelas ruelas tão estreitas ao «com licença» até me implantar no arraial de calorias veraneantes da geladaria da Fortaleza; justifico-lhe o nome de Pai Pinguim sentado com um café e um longo copo de água na mesa que confina com o parque de diversões, eléctrico e sonoro, onde uma criança e um jovem casal e um casal jovem com sogros, se entretêm a divertir-me. Esta tarde, enquanto esperava um sinal dos óculos e da carrinha, continuei a ler Terzani, apanhado do lado certo da cama; o dos livros com quem durmo. Fiz bem em não ter desligado o portátil; hoje não reescrevi nada na agenda do ano passado, de que aqui se dá nota.

1 comentário:

sonia disse...

Ah! Como entendo desse limbo! Às vezes finjo que preciso me entusiasmar por algo, mas não resolve...